Vale a pena ser MEI sendo motoboy? Custos, benefícios e o que muda na sua aposentadoria
Você entrega pelo app e alguém te disse para virar MEI. Parece simples: paga uma guia por mês, tem CNPJ, acessa o INSS. Mas a história tem detalhes importantes que mudam bastante o que você vai receber lá na frente.
Vamos por partes.
Quanto custa o MEI por mês
O DAS (Documento de Arrecadação do Simples) do MEI é composto de uma parcela fixa de INSS (5% do salário mínimo) mais o imposto do serviço (ISS ou ICMS, conforme a atividade).
Para motoboy/entregador, o CNAE adequado envolve transporte, e o valor mensal total fica em torno de R$ 75 a R$ 80 (variando conforme o salário mínimo vigente e o CNAE exato da atividade).
É o menor custo possível para ter acesso ao INSS.
O que o MEI garante
Com o MEI ativo e as guias em dia, você tem acesso a:
- Auxílio por incapacidade temporária (afastamento por doença ou acidente, após carência de 12 meses ou imediatamente em caso de acidente)
- Aposentadoria por idade (62 anos mulher / 65 anos homem, após 15 anos de contribuição para mulher e 20 para homem)
- Pensão por morte para os dependentes
- Auxílio-acidente se ficar com sequela permanente que reduza capacidade de trabalho
Esses benefícios já fazem o MEI valer muito para quem não tem outra proteção.
O que o MEI não garante sem complementação
Aqui está o ponto que mais confunde: a alíquota reduzida de 5% do MEI não conta como tempo de contribuição pleno.
Isso significa que, se você contribuir apenas pelo DAS do MEI, vai se aposentar por idade — não por tempo de contribuição. Para aposentadoria por tempo de contribuição, ou para aumentar o valor do benefício, é necessário complementar a contribuição.
A complementação é a diferença entre os 5% pagos e os 20% da alíquota cheia. Quando paga, o período complementado passa a contar como tempo de contribuição integral.
Exemplo prático: se você quer se aposentar mais cedo ou com valor maior, a complementação a 20% é necessária. Se o objetivo é só ter a proteção básica e a aposentadoria por idade no futuro, o MEI resolve.
CNAE certo para motoboy e entregador
O CNAE (classificação da atividade) precisa corresponder ao que você faz. Para entregadores e motoboys que prestam serviço de transporte, o CNAE mais adequado costuma ser o relacionado a serviços de entrega rápida ou transporte de passageiros em motocicletas.
Se o CNAE estiver errado, pode gerar inconsistência no cadastro e problema na hora de usar os benefícios. Antes de abrir o MEI, confirme o CNAE correto para a sua atividade.
Obrigações do MEI além do DAS
Além do pagamento mensal do DAS, o MEI precisa:
- Fazer a Declaração Anual do Simples Nacional (DASN-SIMEI) até o dia 31 de maio de cada ano
- Manter o faturamento abaixo do limite anual (R$ 81.000 em 2026 — verifique o limite atualizado)
Se não declarar, o MEI é cancelado — e as contribuições do período sem declaração podem não ser aproveitadas.
Regularizar guias atrasadas
Se você ficou meses sem pagar o DAS, é possível regularizar. O parcelamento de débitos do MEI pode ser feito pelo portal da Receita Federal. Os meses pagos contam; os meses em aberto sem pagamento não contam para carência ou tempo de contribuição.
Se você quer entender se o MEI já está cobrindo suas necessidades ou se precisa de complementação para garantir uma aposentadoria melhor, fale com a nossa equipe pelo WhatsApp. A análise é gratuita e sem compromisso.
A leitura é o primeiro passo. A análise do seu caso é gratuita.
Quero uma análise gratuita